É feio dizer isso, mas não me lembro a data... oh, insensível coração. Há alguns anos o velho Weberson foi pedido em casamento pela doce Cacilda Combeerre. Juras de amor digital foram trocadas em mal traçados bits e deu-se o primeiro casamento da web. As missivas da moça jazem no supulto domínio cacilda.com.br (talvez também em algum baú Seagate); as respostas se empoeiram num esquecido FTP.
Abaixo vai a transcrição da primeira resposta.
Lisonjeado, honrado e até um pouco ruborizado, tímido que sou, venho agradecer a profunda manifestação sentimental que você expressou e da qual fui alvo.
Desde os primórdios das novelas das 7 que os seres humanos fazem declarações de amor. No princípio rebuscadas e delicadas, hoje repletas de sons guturais e selvagens. Sim, me refiro ao doce Uga-Uga.
Você não segue esta linha. Suas palavras são meigas, cheias de felicidade e do temor natural que situações como essa provocam no âmago de cada um de nós.
Sua carta de ontem mexeu alguma coisa dentro de mim, com mais intensidade que a endoscopia a que fui submetido semana passada.
Cartas de amor são, por natureza, tolas, alguma Pessoa já disse isso, mas creio que tudo que o amor expressa já tenha sido dito antes, com ligeiras variações e aliterantes repetições. Sua carta é original, dizendo coisas novas, que o coração nunca antes ouviu.
Imagine Marisa Monte conversando com a parede sobre taquicardia, aorta, ventrículos, miocárdio... Pelo menos é a imagem que transmite no belo verso "hoje falei pras paredes / coisas do meu coração".
Tudo isso faz parte da originalidade do samba. Estou a seu lado! Vamos dizer um basta às frases feitas e clichês estabelecidos, porque de bons clichês a gráfica Bom Jardim está cheia.
Sejamos inocentes em nosso affair, como nossos vinte-poucos-anos nos permitem ser. E que nosso amor seja eterno enquanto dure a conexão.