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LEGÍTIMOS PASTÉIS DE SANTA CLARA

Já vou avisando. Hoje não estou para lerolero. Vai tudo na bucha. E sem latim.

Perguntaram a origem dos pastéis de Santa Clara. Fácil.

Durante a invasão japonesa a Portugal, nos primórdios do século XVI, houve uma guerra cruel. Os lusitanos se recusavam a comer bacalhau de hashi. Os japoneses derrubavam as padarias e construiam pastelarias no lugar. Um horror. Beatas da aldeia de Dão-aos-Montes armaram barricadas para impedir a entrada dos shoguns. Atiraram pedras nos nipônicos. Atiraram batatas nos nipônicos. Atiraram ponicos nos nipênicos. Atiraram tudo o que havia pela frente. Até que acabou a munição. Recuaram para a igreja e recomeçaram os ataques. Atiraram Santo Antonio nos nipônicos. Atiraram São Gonçalo nos nipônicos. Atiraram todos os santos e só restaram as santas. As beatas não tiveram comiseração. Atiraram Santa Teresa, Nossa Senhora de Fátima, Santa Joana, todas nos nipônicos. Do outro lado das barricadas centenas de milhares de tipos orientais ferviam azeite em enormes tachos. Santas começaram a cair nos tachos. Um espetáculo de horror. Pacientes, os nipônicos armaram barraquinhas sob santa chuva. Pacientes, os nipônicos vestiram jalecos brancos. Pacientes, os nipônicos estenderam uma espécie de massa de filhoses sobre a madeira. Pacientes, os nipônicos começaram a vender pastéis. Palmito, queijo, carne, especial e, suprema ironia, bacalhau.

Mudança de tempo verbal.

Eis que se aproxima um passante. Um forasteiro, gente de fora. As dãomontinas nunca haviam visto o tipo por aquelas bandas. O estrangeiro encosta o umbigo no pequeno balcão da barraca nipônica e ordena. Dá dois pastel. Sotaque esdrúxulo. Nipônicos se semi-entreolham. Beatas se calam. O forasteiro insiste: dois pastel. Pacientes, os nipônicos esboçam sorrisos, como que perguntando: de quê? O forasteiro olha ao redor. Saquinhos de papel vazios pendurados em cordéis fazem as vezes de cardápio. Nada interessa. Continua olhando e seus olhos param no tacho de azeite fervente. Quero daquilo. Nipônicos, os pacientes se entreolham. Santas fervilham em azeite. Um dos nipônicos, mais velho, aparentemente líder dos guerreiros, pergunta: qual? O forasteiro olha o tacho. Uma cabeça de santa bóia, já bem passada, quase queimada. O forasteiro vê outra, recém mergulhada e aponta: quero daquela, mais clara. Sedento, o forasteiro também pede: uma caldo de cana médio, com abacaxi. Os nipônicos se entreolham. As portuguesas se entreolham. Não havia abacaxis em Dão-aos-Montes.

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 Escrito por Weberson às 23h50 [] [envie esta mensagem]



COMO SURGIU A MAIONESE

Óleos e ovos de boa índole sabem e têm plena consciência de que apenas poucas amantíssimas esposas conhecem os segredos do preparo de uma verdadeira maionese. Será que vai dar? Passa que dá. Ululantemente não me refiro ao amalgamento de batatas cozidas e outras leguminosas com o conteúdo dos potinhos de vidro que usam gravata borboleta, mas sim à verdadeira criação da base, aquela que, somada aos conservantes químicos, preenche os receptáculos que no futuro serão usados para guardar parafusos no quartinho dos fundos.

Atendendo a centenas de milhares de e-mails que nos perguntam sobre a origem da maionese, vamos abrir o bico e dar a dica.

Desde os primórdios o ser humano tem o hábito de besuntar as fatias do pão de cada dia com alguma substância melecosa. Originalmente havia a manteiga, sucedaneada pela margarina, que deu lugar à havarina (que não solta as tiras e não tem cheiro). Também já foi usado o cheirosíssimo creme artificial de queijo, o requeijão, o azeite com açúcar e, pasmem, até creme de amendoim - esta restrita a algumas nações remotas. Nenhuma, porém, destas pastosas substâncias, foi tão usada e apreciada quanto a maionese.

Havia também a teoria de que qualquer ingrediente gosmento no pão faria a fatia cair no ch... ora, bolas, vamos direto ao assunto. A origem da maionese.

Maionese vem do aramesco HELL (inferno) + MANN (homem), do montanhesco Thomas, seguido da conjuntivite adversativa de conclusão 'S, que significa DO. Portanto, podemos presumir, dizer MAIONESE é o mesmo que dizer DO HOMEM DO INFERNO. Consequentemente, e por conseguinte, a expressão "passar maionese no pão" pode ser traduzida como "comer o pão que o diabo amassou".

E tenho benedito.

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 Escrito por Weberson às 22h19 [] [envie esta mensagem]



POLÊMICA: FELTRIN E HOMEM-CHAVÃO PODEM SER A MESMA PESSOA

Vaticínio, domínio da linguagem, verve e claros humores circulando pelas artérias podem ser as provas canibais de que o webgossip Feltrin e o vernaculista do lugar comum Homem-Chavão são a mesma pessoa. Algumas centenas de milhares de mensagens chegaram para este escriba que vos escrebe alertando sobre a símile semelhança.

Custei a crer, mas cri, depois de aferir as informações fornecidas por um estadunidense que se diz criador da criatura original. Bigkey Man alega ter apresentado seu modelo de negócios ao colunista da Folhonline, mediante contrato que impedia o uso do formato, caso Feltrin não se interesasse pela proposta. Desinteressado, a fonte preferida dos calunistas de TV retornou ao Brasil e, meses depois, surgiu o blogue discutidor de clichês, com ampla divulgação na coluna Ooops, de declarada redação do acusado. Bigkey Man planeja processar o escorregadio comentador do sucesso alheio, até o momento profundo desconhecedor dos corredores da Justiça.

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 Escrito por Weberson às 22h18 [] [envie esta mensagem]



ORIGEM DO CARNAVAL

Tenho recebido algumas centenas de milhares de mensagens indagando sobre a origem deste folguedo, ou conjunto de folguedos, que assola nossos rincões. Pois bem, estava disposto a ignorar sem solenidade todas as perguntas, até que um fato despertou-me a ânsia de falar sobre o Carnaval e, assim, atender a toda essa turba que anseia por minhas explanações. Não me lembro qual foi o fato despertante, mas vamos à narrativa.

Carnaval vem do inglês car (carro) + naval (do mar); portanto, veículo anfíbio. Em algumas regiões do extremo leste da África portuguesa a festa é conhecida por "carrossapo", com a mesma origem.

Remotamente, nos primórdios, hordas de desertores das cruzadas invadiam cidades, assolavam esponjas de aço, estupravam os velhos e degolavam as mocinhas. O prenúncio da chegada desses vândalos desencadeava o terror nas gentes trabalhadeiras e honestas das aldeias. Mas...

Poupando os diletos leitores das atrocidades praticadas, saltemos de banda e aterrissemos de nádegas nos fatos que verdadeiramente esclarecem a questão perguntada.

Um dos afazeres prediletos dos calhordas invasores era empurrar as carroças e seus semoventes rumo ao rio mais próximo, apenas por dilentantismo, e observar às gargalhadas a parelha mugindo bolhas e as rangentes rodas indo a fundo nos caudalosos regatos.

Tal prática perdurou séculos, três para ser exato, e passou por modificações significativas de significante mudança. Aos poucos, as pesadas carroças de pesada madeira bruta foram substituídas por ligeiros riquixás ou velozes rolimãs, dependendo da região da desordem. Sim, porque a desordem persistia e se espalhava pelos continentes. Os arruaceiros, no entanto, continuavam os mesmos, em plena atividade, apesar da decrepitude.

Nessa centrifugação global, o movimento chegou ao norte da América influenciado pelas marés e à costa da Ilha de Vera Cruz, por gravidade. Havia então, certo desmembramento das atitudes, que se autodenominaram blocos. Um destes blocos, mais afeito ao impulso rápido e preciso dos veículos em direção ao meio aquoso, ostentava as insígnias "Entra Com Tudo", que veio originar o célebre cordão do ENTRUDO, já de ações mais comedidas. Em vez de precipitarem os fordes marabaixo, se contentavam em percorrer ruas e vielas sendo alvo de crianças que lhes aspergiam água.

Basta. Falei demais. 

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 Escrito por Weberson às 22h24 [] [envie esta mensagem]